Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

REPORTAGEM ESPECIAL: Doação de órgãos. Você tem coragem de ser doador de órgãos?

O título deste especial, nos leva a refletir se de fato nos preocupa o sofrimento alheio ou o nosso?
O Jornal Crer em Pernambuco, que publicou esta matéria na sua versão impressa, deseja que você mesmo tire suas conclusões, lendo uma história real de uma família que perdeu seu patriarca. E, mesmo tomados do grande sofrimento da morte daquela pessoa tão amada, lembraram do seu desejo de ser doador. Mas, para este último desejo ser atendido, precisava do consentimento da família. E, o que aconteceu deste momento em diante?
A narração dos fatos a seguir, é uma reprodução de e-mail enviado a redação do JC em PE, pelo Luiz Ferreira de Barros Neto, filho do falecido Cícero Rodrigues da Silva.

O começo do fim
Nós só descobrimos que pai estava com um tumor na hipófise, porque ele sentiu-se mal e uma dormência num braço. Então, pensando que ele estava tendo um AVC. Ele procurou o Hospital Monte Sinai, em Garanhuns, onde descobriram o tumor. Passamos uns dois ou três dias aguardando o médico daqui e uma médica do Hospital Português (Drª Feliciana, que veio a ser a chefe da equipe no caso do nosso pai), decidirem se deveria ou não ser transferido para o Recife. Decidiram que não, só que devido a previsão dos sintomas que o tumor iria causar no seu organismo, sintomas estes, que ele já vinha sentindo alguns há certo tempo, nós, os quatro filhos, com orientação de amigos médicos (Drº Ivaldo Dourado e Drº Ricardo Alecrim), decidimos que deveríamos levar por conta própria para a emergência do Hospital Português, onde ele foi internado de imediato, pois viram que era caso cirúrgico. Este tipo de tumor pode ser retirado pela narina, quando no início, e é bem mais simples, ou quando está num tamanho mais avançado, só pode ser retirado abrindo o crânio, o que é mais complicado e, este foi o caso de pai.
Após alguns dias internado,  uns 15 ou 20 dias, foi feita a cirurgia que devido a uma dificuldade de coagulação apareceram várias pequenas hemorragias que levaram a cirurgia de 4h para 10 horas. Após cirurgia, pai foi para a UTI, quando estava retomando a consciência e com os testes físicos satisfatórios, ele teve uma pneumonia, devido a aspiração de secreções, com isso, seu nível de consciência baixou novamente e daí o quadro dele foi só piorando, pois com a demora da recuperação e como ele não podia tomar anticoagulante, devido as hemorragias que teve, os médicos decidiram fazer outra cirurgia para instalação de um dreno no intuito de evitar embolia pulmonar. Dias depois, pai teve uma isquemia, que somado ao edema da 1ª cirurgia, causou um crescimento exagerado do cérebro que, para tentar diminuir os efeitos deste crescimento, meu pai teve que passar por mais uma cirurgia para retirada de parte do crânio, mas infelizmente não foi suficiente para evitar a morte cerebral e salvar sua vida.

A morte e a vida
Com a notícia da morte cerebral de pai, nós resolvemos pela doação dos seus órgãos, pois era um pedido dele em vida. Então, comunicamos ao hospital que entrou em contato com a Central de Órgãos, que mandou uma assistente social para nos acompanhar e explicar todo processo. Infelizmente, na época, para fechar o diagnóstico, precisava de um equipamento portátil para fazer o ultimo exame e, só a Central de Órgãos é que tinha este equipamento. Devido a isto, perdemos algum tempo, pois só tinha um dos médicos que operava este equipamento e ele estava sobrecarregado e não pode ir fazer o exame, com isso, terminou que o hospital conseguiu adaptar os equipamentos que estavam ligados ao meu pai e puderam levá-lo até o equipamento, em outra ala, para fazer o exame e concluir o diagnóstico. Com a conclusão do diagnóstico, a Central de Órgãos foi avisada para que pudesse enviar sua equipe médica para a captação dos órgãos.
Neste momento, o desejo de nosso pai nos ajudou a abrandar a tristeza da perda, com a felicidade em receber a notícia da equipe da Central de Órgãos. Assim que eles terminaram a captação, tiveram que levar logo um dos rins para ser transplantado, e depois recebemos a notícia, através de carta, que o outro rim foi também transplantado no mesmo dia da retirada.
A filha Tatiana Karina – A Tati, através de mensagem de texto, nos narra também seus sentimentos: “Era uma mistura de tristeza pela perda dele, e ao mesmo tempo de alegria, pois sabíamos que alguém teria uma nova oportunidade de viver! Naquele mesmo dia, pessoas estariam recebendo esses órgãos”.
Foram transplantados também as duas córneas e o fígado, sendo assim, foram cinco vidas e cinco famílias beneficiadas pela última boa ação do nosso pai, e infelizmente não foi possível ajudar mais duas vidas, porque na época em Pernambuco não funcionava o transplante de pulmão e pelo que sei (mas não tenho certeza), ainda não funciona.


A carta
A retirada dos órgãos ocorreu na madrugada do dia 30 de junho/09 para o dia 01 de julho/09, pois já tinham pessoas aguardando para recebê-los, como detalha a carta.
A data da emissão da carta foi redigida errada. A data correta é 04 de novembro de 2009.

Para autorizar a doação dos órgãos, foi preciso três consentimentos através de assinaturas (da minha irmã Tati, do nosso tio Clébio – O Pepa, irmão do nosso pai e a minha).
Gostaria de concluir que não é tão fácil tomar esta decisão, nem tão pouco foi para nós fácil, esperar o desenrolar do fechamento dos exames, devido aos per causos que existiram naquele momento, mas, não nos arrependemos em momento nenhum e, tivemos cinco bons motivos para isso, tenho certeza que se nós nunca tivéssemos esse tipo de conversa na nossa família, e se não fosse o apoio da família e amigos, teria sido bem mais difícil.

Aproveito para agradecer a todos que se envolveram conosco nesta etapa de nossas vidas e parabenizar o Jornal Crer em Pernambuco pela campanha.

Escrito por: Luiz Ferreira de Barros Neto.

Aspectos legais que regem transplantes no Brasil
A lei 9.434/97, também conhecida com a Lei dos Transplantes, trata das questões da disposição post mortem de tecidos, órgãos e partes do corpo humano para fins de transplante; dos critérios para transplantes com doador vivo e das sanções penais e administrativas pelo não cumprimento da mesma.
Foi regulamentada pelo decreto 2.268/97, que estabeleceu também o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), os Órgãos Estaduais e as Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO’S).
Em 2001, a lei 10.221, extinguiu a doação presumida no Brasil e determinou que a doação com o doador cadáver só ocorreria com a autorização familiar, independente do desejo em vida do potencial doador. Logo, os registros em documentos de identidade (RG) e Carteira Nacional de Habilitação, relativos à doação de órgãos deixariam de ter valor como forma de manifestação de vontade do potencial doador.

Para maior informação sobre todos os aspectos que envolvem o processo de doação e transplantes no Brasil, acesse o sítio eletrônico: www.transplantes.pe.gov.br.

Boas notícias para quem precisa de transplante
Nos últimos três anos, o número de transplantes de órgãos sólidos no Brasil tem crescido na ordem de 18%, entre 2010 e 2013, segundo informações do Ministério da Saúde, que ainda afirma que o Brasil possui a maior rede pública de transplantes do mundo. Nos Estados Unidos, o número de transplantes é maior que no Brasil, mas, lá os procedimentos são privados.
O estado de Pernambuco, em 2013, zerou a fila para transplantes de córneas. Considera-se zerada a fila de espera, quando o número daqueles que precisam do procedimento é igual ou menor que a capacidade média mensal de atendimento do estado.
No mês de abril deste, o Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), apresentou uma nova técnica de transplante de córnea no estado. Esta nova técnica reduz o índice de rejeição e a recuperação visual é mais rápida. A nova técnica está sendo realizada na Fundação Altino Ventura pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Evolução dos transplantes em Pernambuco
Fonte: CNCDO-PE

Fonte: CNCDO-PE

Ser doador é mais simples do que você imagina
Para doar e salvar várias outras vidas, tirando de filas enormes pessoas que podem estar com suas vidas comprometidas durante a espera e, até mesmo não aguentar e morrer. Para concretizar este gesto solidário e de amor ao próximo, você só precisa comunicar esta vontade a sua família. Apenas a sua família é quem autoriza a doação. Não adianta deixar nada escrito ou gravado. A sua família é quem vai autorizar a doação. Portanto, converse sobre o assunto com todos, pesquise mais detalhes do quanto esta sua atitude pode proporcionar vida nova a muitas outras pessoas.

CENTRAL DE TRANSPLANTES DE PERNAMBUCO
Praça Oswaldo Cruz. s/n - Prédio do Complexo Regulador - Boa Vista - Recife/PE  Fones: (081) 3412-0205 / 0800-2812185.
e-mail: transplantespe@saude.gov.br
Sitio eletrônico: www.transplantes.pe.gov.br

Conheça mais sobre doações de órgãos, acessando os links abaixo:










Programas de TV sobre doação de órgãos:







Matéria do Profissão Repórter: A espera de um coração – Parte 03. TV Globo

Fonte: Jornal Crer em Pernambuco - Edição 60 - Maio de 2014.
Repórter: Beto Duran

Nenhum comentário:

Postar um comentário